Texto integral publicado
pela Revista Cães & companhia, julho de 2017. Parabéns ao seu autor e à Revista Cães & Companhia
“Ainda é muito comum,
em Portugal, o verão ser sinónimo de tosquia. Mas será mesmo a altura certa
para o fazer? Na grande maioria dos casos, é exatamente o oposto. Rapar o pelo
ao seu animal na altura de maior calor é o pior que lhe pode fazer.
Função do pelo
O pelo de um cão serve
de proteção – tanto do frio como do calor, assim como dos raios ultravioletas
(UV). Se bem mantido e escovado, o pelo serve para proteger o cão durante todas
as estações do ano, adaptando-se a elas naturalmente. Muda consoante as
necessidades, mas precisa de uma ajudinha. Precisa de ser escovado com frequência
para poder efetuar a sua função de forma eficaz.
Esta proteção só é
eficaz se o pelo for escovado com frequência. De outro modo o
pelo vai atuar como estufa e, isso sim, irá provocar sobreaquecimento,
problemas de pele e de pelo.
Assim sendo, rapamos ou
não?
Esta questão não é
assim tão linear. Quando me refiro a rapar o pelo, falo em cortar à máquina
muito curtinho (entre 1 e 3 mm), quase à pele, não são cortes com uma altura de
pelo razoável ou à tesoura.
Nos cães de pelo
comprido, sem subpelo ou lã. Rapar, rapar curtinho, a ver-se a pele ou pouco
mais, a não ser que seja por uma questão de saúde, por ter nós ou porque está a
fazer algum tipo de tratamento, não!
É perigoso!
Durante muitos anos
ouviu-se que todos os cães têm de ser tosquiados por causa do calor, no
entanto hoje sabemos que isso não é verdade e
que nem todos os cães beneficiam muito com isso.
Rapar nesta altura do
ano, com o perigo de queimaduras solares (cancro de pele e lesões graves), a
não ser que não exista outra alternativa, é claro que não!
É perigoso,
especialmente se o cão passa longos períodos exposto ao sol ou se está a pensar
levá-lo consigo de férias para a praia.
"Os donos
usam protetor solar e chapéus. Os cães usam o pelo e se forem rapados vão
sobreaquecer muito mais!"
O pelo serve para
proteção, logo um cão de subpelo denso, que faça uma manutenção regular da
pelagem não deve ser tosquiado, por três razões:
» Ao contrário
daquilo que parece, o cão vai ter mais calor;
» Pode provocar
queimaduras solares graves;
» Destrói a textura
natural do pelo. O cão vai passar a ter uma pelagem lanosa, fina, baça,
encaracolada e há o sério risco de padecer de alopecia após tosquia (que é a
perda total ou parcial do pelo, com o aparecimento de peladas).
O cão não transpira
como nós
Não nos podemos
comparar a um cão. O calor que sentimos e a forma como transpiramos é
completamente diferente.
Por certo já se
perguntou por que motivo a língua do seu cão fica tão grande quando ele está a
arfar com calor. É precisamente assim que ele se refresca!
Nos cães as glândulas
soporíferas estão apenas limitadas às almofadas plantares e a forma como
regulam a temperatura tem uma dupla estratégia: arfar e vasodilatação.
Só o arfar providencia
80% do sistema de arrefecimento!
O pelo do cão serve
para proteção
A sua pele é muito mais
fina que a nossa e não foi “desenhada” para andar exposta ao sol. Por essa
razão é coberta de pelagem densa. Podemos então concluir que a
altura do ano em que os cães não devem de todo ser tosquiados é no verão.
É perfeitamente natural
que os cães tenham calor no verão, mas, por mais estranho que pareça, se
forem rapados vão sobreaquecer muito mais.
Cães que não devem ser
tosquiados!
Com exceção dos cães de
pelo comprido, sem subpelo, nenhum cão deve ser tosquiado. O pelo pode ser
desbastado, mas não à máquina, sem nunca chegar ao subpelo. E os
cães de pelo curto, nunca devem ser tosquiados!
Cães de pelo comprido
Manter o pelo comprido
no inverno é complicado por causa da chuva, mas no verão é preciso ter atenção
redobrada porque o calor, o ar seco e o pó secam muito o pelo.
Os cães devem tomar
banho com regularidade, com um champô próprio para as necessidades daquele
momento, mais ou menos hidratante, seguido de amaciador.
Um pelo limpo e bem
hidratado, forma menos nós do que um pelo seco e sujo. Cresce de uma forma mais
homogénea e não altera a cor (oxidação). E permite um arejamento correto do cão,
sem sobreaquecimento!
O grooming (arranjo da
pelagem) deve ser regular para garantir uma correta proteção térmica durante
todo o ano. No entanto, se nota que o seu cão está com demasiado calor, pode
marcar um banho com escovagem, para remover o subpelo e promover uma melhor
circulação do ar.
No caso das raças sem
subpelo (como o Caniche, o Cão de Água Português ou o Bichon Maltês, por
exemplo) esta também não é a altura ideal para cortar o pelo demasiado curto,
pois ficam sujeitas a queimaduras solares. No entanto, estas raças podem manter
um corte um pouco mais curto que o habitual, sem deixar a pele à vista.
Idas à rua com um cão
rapado
Na eventualidade do cão
ter de ser rapado (por ter nós ou precisar de fazer algum tipo de tratamento),
convém que fique protegido no interior de casa e é de evitar ir com ele à rua
nas horas de calor.
Para as idas à rua nas
horas de calor, existem no mercado camisolas refrescantes que se molham. Para
além de os proteger dos raios solares, ajudam a manter uma temperatura corporal
mais baixa. Se não tiver acesso a uma destas camisolas pode optar por lhe
vestir uma t-shirt.
Por: Isabel Nobre, I. N. Groming & SPA”
“in Revista Cães & Companhia, julho de
2017”
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